Ford usa plástico reciclado para cortar custo e proteger ambiente
Por ser mais resistente, garantir maior
leveza ao automóvel e menor consumo de combustível, o material plástico
é um dos itens que mais crescem nas pesquisas de inovação tecnológica da
indústria automobilística.
A Ford do Brasil está no estágio final de desenvolvimento de uma
tecnologia que utiliza polipropileno reciclado e fibra de sisal para a
confecção de peças plásticas injetadas ou moldadas do interior do
veículo.
Segundo Celso Duarte, supervisor de engenharia da montadora, a
tecnologia Ecoproject, foi desenvolvida pela Ford do Brasil em parceria
com a Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) em 2003 e deverá ser
aplicada nos seus veículos daqui dois ou três anos. "Por causa das
exigências da legislação europeia, a tendência é de a indústria
automobilística aumentar cada vez mais a utilização de material
reciclado na confecção de veículos", disse o engenheiro da Ford.
Além de usar materiais recicláveis, a Ford também busca diminuir o
consumo de matéria-prima que tem muita dependência do petróleo, como é o
caso do polipropileno virgem. Segundo Duarte, o que motivou o Centro de
Desenvolvimento de Produtos da Ford em Camaçari (BA) a criar o
Ecoproject foi a preocupação em reduzir a dependência de materiais que
causam impacto no meio ambiente e minimizar a pressão da volatilidade
dos preços do barril de petróleo, de onde é extraído o polipropileno
virgem, além do aspecto social com a possibilidade de utilizar
matéria-prima vegetal originada em regiões de baixa geração de renda.
Com o novo projeto, a Ford reduziu em 80% o uso de polipropileno virgem.
Assim, as peças plásticas passaram a ser confeccionadas com 50% de
poliproleno reciclado, 30% de fibra de sisal e 20% de polipropileno
virgem. Além de diminuir o custo de produção, as peças são mais
resistentes e leves, o que contribui para diminuir o peso total do
veículo e o consumo de combustível, segundo o engenheiro. "Conseguimos
reduzir em 10% o peso, com melhoria das propriedades mecânicas, ou seja,
a qualidade da peça", disse Duarte.
Segundo o engenheiro da Ford, o interior do Ford Ka, tem até 100 kg de
polipropileno virgem. "No futuro o painel das portas, console central,
porta-pacotes, tampa do porta-malas e o acabamento interno do teto
também deverão ser feitos com sisal e polipropileno reciclado", afirma
Duarte. Hoje 100% dos carpetes dos carros da Ford são produzidos com
plástico reciclado de garrafas pet.
Outro produto em estudo pela Ford é o poliol de soja. Segundo o
engenheiro de produto, essa tecnologia, que foi desenvolvida pela Ford
nos Estados Unidos em parceria com a Cargill - fabricante de óleo -, foi
implementada no final de 2008 no Mustang e deverá ser aplicada nos
veículos produzidos também no Brasil.
Avanço nas autopeças
No setor de autopeças, a Plascar é uma das empresas que investe
pesadamente no uso de materiais plásticos. O seu mais recente produto é
a roda de polímero com fibras naturais, que pesa de 20% a 30% menos que
a roda de liga leve e de 30% a 40% em comparação ao modelo de aço. "Além
de reduzir o peso do veículo e o consumo de combustível, as rodas de
polímeros oferecem maior liberdade de design, não corrói, não amassa e
assegura maior desempenho ao veículo", diz José Donizete, diretor de
engenharia da empresa.
O projeto das rodas de polímero foi desenvolvido na unidade da Plascar
em Jundiaí (SP) e já está sendo testada por uma montadora no País. "A
medida que se tira o peso do veículo economiza combustível e polui
menos", comenta o diretor.
A estimativa de Donizete é que em 2015 o total de peças plásticas
aplicadas nos veículos tenha um crescimento de 18% para 35% no Brasil.
Nos Estados Unidos subirá de 27% para 44% e na Europa de 35% para 52%.
Segundo Donizete, na área de inovação a Plascar é a única empresa que
busca a diversificação aqui no Brasil. "Não tem outra empresa no País
com maior portfólio de produtos". Ele destaca que a empresa tem 200
engenheiros dedicados à inovação. "Todas as atenções no Brasil estão
voltadas para recursos naturais e o País tem mais vantagem em relação a
outros países por utilizar fibras de polímeros de uso vegetal".
Fonte: Gazeta Mercantil |
 



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